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Cascavel,09/04/2026

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Vander Piaia

O drama do endividamento pessoal


O drama do endividamento pessoal Reprodução freepik

O endividamento das famílias brasileiras ultrapassou 80%. Um fato deveras preocupante para o governo atual, que sabe muito bem que tal problema pode se refletir nas urnas. A insatisfação popular nunca é aliada dos governantes de plantão. Preocupa também o sistema financeiro, na medida em que o endividamento avança, cresce também a inadimplência. Depois de quase três décadas de estabilidade, decorrentes de reformas estruturais em meados dos anos de 1990, o sistema financeiro brasileiro está novamente em xeque. O banco Master abriu as portas para o buraco, que é muito mais embaixo.

 Tudo começou com a regulamentação ocorrida através da lei 10820 de 2003, que passou a permitir o empréstimos consignados, ou seja, trabalhadores e aposentados poderiam obter empréstimos lastreados na sua renda mensal. Para os bancos e financeiras, isso era bom, pois garantia o recebimento do valor já que a lei autorizava o desconto direto do salário. Era igualmente favorável ao assalariado, pois permitia acesso a crédito, a princípio, mais barato. Com a passar do tempo, a perda do poder de compra fez com que os trabalhadores buscassem compensar obtendo cada vez mais créditos, chegando atualmente a um limite exagerado de endividamento.

Não se pode, portanto, culpar os assalariados e aposentados. A tática dos empréstimos é uma alternativa diante do crescente custo de vida. Certamente que há exageros, descontroles e desconhecimento de algumas regras elementares de economia doméstica por parte das pessoas de menor escolaridade. Tal fato poderia ser melhorado através de um amplo programa de educação financeira que abrangesse tanto o estudante quanto pessoas fora da escola. Tal iniciativa não é viável no curto prazo, assim, a batata quente assa nas mãos dos governantes.

O governo está preparando um pacote para tentar diminuir o tamanho da inadimplência. Uma das ideias é unificar todas as dívidas de uma pessoa, permitindo uma renegociação mais favorável através da portabilidade, que é a possibilidade de mudar a dívida de uma instituição financeira para outra. Acrescido a isso, seria permitido retirar 10% do FGTS da conta do trabalhador para destinar justamente ao pagamento das contas. O estoque de dinheiro do FGTS gira atualmente em torno de 770 bilhões de reais, um valor confortável para o governo usar o fundo à vontade.

Mesmo assim, qualquer situação será paliativa. A tendência é que, mesmo baixando o endividamento no curto prazo, ele voltará a crescer, pois o decréscimo da renda é uma tendência real, enquanto continuar a se praticar no Brasil políticas populistas que esquecem que o que faz realmente a riqueza de uma nação é o trabalho, como já disse Adam Smith, o pai da economia, em 1776. 


- Vander Piaia é economista e professor da Unioeste, campus de Cascavel

 

 



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