Vander Piaia
O arriscado mercado do petróleo venezuelano
Foto: Divulgação PDVSAO padrão internacional de cotação é o Petróleo tipo Brent, um óleo mais leve e limpo. Países que têm em seu território esse tipo de petróleo, tem também um menor custo relativo para sua extração e processamento. Embora as reservas da Venezuela sejam gigantes, seu óleo é classificado como pesado e extra-pesado, o que exige muito mais investimento no seu refino, tornando a margem financeira menor.
Outro fator que limita o ânimo do investimento das empresas petrolíferas é o declínio do preço médio do barril. No pós pandemia o preço do barril estava cotado em torno de 85 dólares, atualmente a cotação está girando em torno de U$ 65,00, sendo que os analistas não sinalizam aumentos significativos no preço do barril no curto e médio prazo. Um fator que poderia incrementar o preço seriam possíveis guerras e conflitos, especialmente no Oriente Médio. Contudo, a recente guerra Rússia-Ucrânia demonstrou que a estrutura distributiva atual do petróleo tem se mostrado resistente a esse tipo de conflito. Num primeiro momento, o preço pode até subir, ocasionado mais pela especulação de mercado, e após passado a euforia dos preços, os mesmo voltam a patamares ditos normais.
Entre os fatores da estabilidade e mesmo declínio do preço, pode-se apontar o crescimento acelerado da oferta de veículos elétricos e de outras fontes alternativas de energia, que não precisam de combustíveis fósseis, tais como aqueles derivados da biomassa. Tal tendência é inevitável e é provocada justamente pela necessidade do grande capital em buscar novas fontes de lucro. Questões de ordem ambiental também pesam muito, fator esse que acelera os investimentos pela busca de fontes alternativas de energia. Alguns analistas sugerem que em menos de meio século a indústria do petróleo poderá cair até 80%, ou seja, aquilo que era o combustível de massa, se tornará apenas um meio alternativo, servindo a setores específicos, tais quais o setor aeronáutico.
O mercado da exploração e refino é extremamente caro, exigindo grande aporte de capital. Isso faz com que investidores não aceitem uma aventura com seu dinheiro. Se não há sinais consistentes de retorno do investimento, eles preferem destinar seus capitais a outros setores mais lucrativos. Essa é uma razão pela qual as empresas americanas estão resistentes ao chamado do presidente Trump para retornar seus investimentos na Venezuela.
No Brasil, é possível sentir o efeito da pouca vontade do preço do barril. Logo no pós pandemia, nos anos de 2021 e 2022, o súbito aumento do preço dos combustíveis no mercado internacional se tornou um problema. Com o declínio pequeno, porém constante do valor do barril, o preço no mercado interno decorreu mais pela recuperação de impostos (reoneração) de PIS/COFINS, do que por alguma pressão externa de preço. Lembrando que o PIS/COFINS foi reduzido em 2022 justamente para equilibrar o aumento do preço dos combustíveis, que estava impactando de forma contundente os índices de inflação.
No caso venezuelano, há mais um agravante. As empresas americanas alegam que a insegurança jurídica, decorrente das experiências anteriores, com atos de expropriação e mesmo expulsão de empresas, faz com que investidores usem de cautela redobrada para lá investirem. E você, apostaria recursos para comprar ações baseadas exclusivamente em operações de petróleo na Venezuela?

- Vander Piaia é comentarista econômico e professor da Unioeste








COMENTÁRIOS