Padre Reginaldo Manzotti
Dia de Finados: para o amor, a morte não é um limite
Filhos e filhas,
Com a proximidade do dia de Finados, quando nos lembramos daqueles que já partiram, não posso deixar de ressaltar a importância de rezarmos pelos falecidos. Além de ser um sinal do nosso amor e da nossa solidariedade, é uma prática salutar que tem muita eficácia na elaboração do luto. Para o amor, a morte não é um limite.
O Dia de Finados não deve ser uma data de tristeza porque a Ressurreição de Jesus nos consola, mas pode ser de saudade daqueles que amamos e já partiram, afinal para o amor, a morte não é um limite, como está na oração do Prefácio do Missal Romano próprio pelos falecidos:
"Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada”.
Sem dúvida, a morte nos assusta, intimida e faz com que, constantemente, reflitamos sobre a fragilidade da condição humana. Não raro, nos momentos de perda, especialmente aquelas mais inesperadas, ouvimos alguém dizer: “Nós não somos nada”. O desespero e a melancolia são plenamente justificáveis para quem encara a morte como o fim de tudo, mas não para o cristão.
Jesus venceu a morte e nos abriu as portas da eternidade. São Paulo já nos ensina: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”. (1Cor 15,14). Mas o sepulcro estava vazio (cf. Jo 20,1-10), porque Jesus ressuscitou.
O ponto de partida para encararmos a morte é justamente o exemplo de Jesus Cristo, que venceu a morte. A fé em sua ressurreição e na continuidade da vida após a morte é fundamental, tanto para nossa própria existência de finitude quanto para vivermos o luto de quem já se foi.
É de grande importância saber lidar com as situações de perdas e encarar a morte de uma forma cristã. Por isso, nos momentos mais difíceis, quando a dor nos leva ao desespero, lembremos: a morte não é o fim e rezem, colocando na presença de Deus toda a angústia, saudade, para que não vire tristeza, mas se torne esperança.
Gostaria ainda de partilhar uma experiência pessoal, não como padre, mas como um ser humano que já teve perdas significativas na vida. Um grande pregador disse num sermão: “No céu, ninguém pertencerá a ninguém, mas reconheceremos quem verdadeiramente amamos”.
Ouvir isso me fez muito bem, não apenas pela certeza de que ninguém pertencerá a ninguém, pois quem garante isso é Jesus Cristo, mas também, e sobretudo, pelo consolo de saber que o verdadeiro amos nos fará estar juntos novamente no céu.
Termino, esclarecendo que a morte nunca foi vontade de Deus e somente passou a fazer parte do mundo depois do pecado original. Desde então, nossa fragilidade nos faz acreditar nela e teme-la, gerando reações negativas como amargura, sofrimento e desânimo. Mas isso não é de Deus. Assim como Ele ressuscitou Seu Filho, Deus nos chama para o Céu, para receber o Seu perdão. Nós somos chamados para sermos santos com Ele é Santo.
Acreditando que Jesus venceu a morte e ressuscitou, convido-os agora a rezarmos por todos os falecidos uma oração que está no rito das exéquias:
Nas vossas mãos, Pai de misericórdia, entregamos a alma de todos os falecidos na firme esperança de que eles ressurgirão com Cristo no último dia. Escutai, ó Deus, na vossa misericórdia, as nossas preces: abri para eles as portas do paraíso e a nós que ficamos, concedei que nos consolemos uns aos outros com as palavras da fé até que o dia em que nos encontraremos todos no Cristo e assim estaremos sempre convosco.
Amém
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti






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