Seja bem vindo
Cascavel,01/09/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Especialistas do Paraná defendem mais brincadeiras e descobertas na Educação Infantil

Em meio ao avanço das telas, educadores destacam a importância da autonomia, da convivência e das experiências concretas para o desenvolvimento das crianças

Fonte: Assessoria
Especialistas do Paraná defendem mais brincadeiras e descobertas na Educação Infantil Brincar sem interrupções favorece a concentração, a exploração e o desenvolvimento do raciocínio.

Com o mês de agosto chegando ao fim, também se encerra o Mês da Primeira Infância, período que reforça a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento das crianças. É justamente nessa fase que a Educação Infantil exerce papel central, ao proporcionar experiências, vínculos e oportunidades de aprendizagem que contribuem para o desenvolvimento integral.

A discussão também coincide, em 2026, com os dez anos do Marco Legal da Primeira Infância, legislação que estabeleceu princípios e diretrizes para políticas públicas voltadas aos primeiros seis anos de vida.

Para Maria Cristina Branco, pedagoga e especialista em formação docente no CIPP dos colégios da Rede Positivo, uma das principais mudanças na Educação Infantil foi o reconhecimento da criança como sujeito ativo da própria aprendizagem. Essa mudança de olhar também orienta a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que integra cuidado e educação e coloca interações e brincadeiras no centro da etapa. “A criança aprende quando pode explorar, levantar hipóteses, fazer perguntas, experimentar, errar, criar e compartilhar descobertas”, afirma a especialista.

Essas experiências contribuem para o desenvolvimento da linguagem, da autonomia, da criatividade, da cooperação e da resolução de problemas. Rafael Pawlina, assessor de Arte da Aprende Brasil Educação, destaca ainda o papel das relações nesse processo. “O brincar nasce e se fortalece nas relações: no encontro entre crianças, entre crianças e adultos, entre corpo e espaço, entre imaginação e cultura”, salienta.

A convivência durante as brincadeiras também favorece o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Michelle Norberto Martins, coordenadora da Orientação Educacional no Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP) dos colégios da Rede Positivo, explica como esses aprendizados se manifestam na prática. “Nas brincadeiras, a criança percebe reações, aprende a dividir, entende frustrações, identifica sentimentos e constrói noções de cooperação”, aponta.


Tecnologia deve ampliar, não substituir experiências

A presença de telas, internet e ferramentas de inteligência artificial também passou a fazer parte das discussões sobre a Educação Infantil. Para Maria Cristina, esses recursos podem contribuir para pesquisas, registros, criação e comunicação quando utilizados com intencionalidade pedagógica e adequadamente à faixa etária.

O desafio está em equilibrar seu uso com experiências como movimento, brincadeira livre, contato com a natureza, vivências sensoriais e convivência, fundamentais ao desenvolvimento infantil. “A tecnologia digital pode complementar experiências, permitir a exploração de novas linguagens e oferecer contato com diferentes culturas e saberes, mas jamais deve substituir aquilo que é próprio da infância”, afirma a pedagoga.

Outro ponto de atenção é a hiperestimulação e seu impacto sobre a capacidade de concentração. “Quando a criança brinca sem interrupções constantes, ela exercita a capacidade de permanecer em uma atividade, explorar detalhes e construir raciocínios mais complexos”, ressalta Michelle.


Professor assume papel de pesquisador da infância

Esse novo papel da criança também transforma a atuação do professor. Maria Cristina define esse profissional como um “professor pesquisador da infância”, atento às brincadeiras, hipóteses, perguntas e interesses das crianças para orientar o planejamento e criar novas oportunidades de aprendizagem.

Para a especialista em formação docente, mais importante do que ter todas as respostas é despertar a curiosidade e oferecer condições para a criança experimentar, estabelecer relações e encontrar caminhos próprios.

Pamella Mamed Stepan, assessora da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental no CIPP dos colégios da Rede Positivo, lembra que até conflitos cotidianos das brincadeiras, como definir regras ou resolver desentendimentos, podem gerar aprendizagem. Segundo ela, essas situações funcionam como “verdadeiros laboratórios sociais” e ajudam a desenvolver argumentação, tolerância, autocontrole, mediação e flexibilidade.


Preparar para aprender, sem antecipar etapas

As experiências desenvolvidas na Educação Infantil também ajudam a construir as bases para a etapa seguinte. Camila Portugal Lacerda, professora regente dos anos iniciais dos colégios da Rede Positivo, observa que crianças acostumadas a explorar, fazer perguntas e buscar soluções tendem a chegar ao Ensino Fundamental mais preparadas para a alfabetização e para aprendizagens mais sistematizadas. “Uma criança curiosa continua aprendendo por toda a vida”, afirma Camila.

Maria Cristina ressalta, porém, que a etapa da Educação Infantil não deve ser vista como a preparação para os Anos Iniciais: deve ser acolhida como um tempo único na trajetória da criança. Educação Infantil não é preparar para a vida.

“É a própria vida acontecendo! E o grande desafio não é acompanhar todas as mudanças do mundo, mas continuar enxergando a infância com sensibilidade e garantir que as crianças tenham tempo para brincar, imaginar, explorar e fazer perguntas. É a partir dessas experiências que nascem as aprendizagens que elas levarão para toda a sua jornada, pois a infância é um chão que se pisa a vida toda”, conclui.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.