Juliano Gazola
Liderança que sobrevive à escassez
A maioria das lideranças opera com uma cláusula implícita: “eu me comprometo se der certo”. Isso não é compromisso; é contrato oportunista. Direto da fonte, no livro de Habacuque, capítulo 3, confronta essa lógica: a postura permanece mesmo quando a figueira não floresce e os campos não produzem. Em gestão, isso significa sustentar decisões estruturantes quando o cenário piora, não quando o EBITDA facilita.
Em Romanos 12 desloca o eixo da liderança do desempenho para a transformação da mente. Não se trata de motivação; trata-se de reprogramação de critérios de decisão. Enquanto você medir sucesso apenas por crescimento, tenderá a aceitar diluições de propósito como “trade-offs estratégicos”. O problema: cada concessão cria precedente. Precedentes viram cultura. Cultura vira destino.
Já no livro de Jeremias 31 propõe um pacto de longo prazo: significado não nasce da expansão; nasce da duração com coerência. Organizações que crescem sem pacto interno sólido tornam-se dependentes da energia pessoal do líder. Quando o líder sai, a cultura colapsa. Isso não é liderança; é centralização carismática. Liderar é construir alianças que sobrevivem à sua presença direta.
Josué 24 coloca a escolha em praça pública. Em termos contemporâneos: governança transparente. Se suas decisões dos últimos anos fossem auditadas por critérios de coerência moral, o que resistiria? Onde você chama “estratégia” aquilo que é apenas acomodação? A equipe observa padrões, não discursos. E replica padrões.
Mateus 16 introduz o ponto que líderes evitam: perda estratégica. Há momentos em que preservar valores exige perder escala, influência ou mercado. Quem não aceita perder o que não pode sustentar no longo prazo perde, no fim, aquilo que dizia querer preservar: reputação, confiança e legado. O custo de negar a si mesmo é real, mas o custo de não negar é sistêmico.
Formar líderes comprometidos exige mudar o que você mede e recompensa. Se você só recompensa resultado, terá adesão condicional. Se recompensa atitude, constância e fidelidade a princípios sob pressão, constrói capital moral. KPI’s sem critérios de integridade produzem eficiência vazia; KPI’s com critérios de integridade produzem desempenho sustentável.
O erro recorrente é pedir compromisso sem definir com o que a organização está comprometida. Sem um “ideal digno de compromisso”, suas cobranças soam vagas e oportunistas. Pessoas não se comprometem com abstrações; comprometem-se com causas que suportam custo pessoal. Se sua causa não suporta custo, ela não é causa; é slogan.
Convite: Se você quer desenvolver líderes que sustentam decisões quando o retorno não é imediato — e construir cultura que sobrevive a você — participe da mentoria em Bioliderança® e Cristocracia®.
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