Juliano Gazola
Onde está o seu tesouro
Todo início de ano traz o mesmo ritual: metas, planejamento, projeções. O que quase nunca é revisitado é a pergunta que governa todas as outras: onde está o seu tesouro? O ensino de Mateus 6 é cirúrgico ao afirmar que o coração segue o tesouro. Não é o discurso institucional que revela a prioridade de um líder; é o que ocupa sua atenção, suas decisões difíceis e seus sacrifícios concretos.
Tesouros terrenos são vulneráveis por definição. Mudanças regulatórias, crises, concorrência, tecnologia e erros humanos corroem modelos de negócio. Quando o centro da liderança é apenas resultado financeiro, qualquer instabilidade externa ameaça a identidade da organização. Investir “tesouros no céu”, em linguagem prática, significa construir ativos que não se depreciam: reputação, confiança, formação de pessoas, cultura ética e processos coerentes. Esses ativos sustentam a empresa quando o ambiente muda.
O Decálogo organiza a hierarquia de valores: o que é absoluto e o que é relativo. Liderança começa por essa ordenação. “Não terás outros deuses” confronta os ídolos modernos: lucro a qualquer custo, status, crescimento desordenado. Quando meios viram fins, a organização perde norte. Ferramentas, tecnologia e expansão são instrumentos; se viram deuses, passam a justificar qualquer concessão.
O shabat ou descanso introduz limite. Em termos executivos, limite é disciplina estratégica. Empresas que vivem em hiperprodutividade constante perdem clareza, aumentam erros e normalizam desgaste humano. Começar o ano definindo ritmos saudáveis não é romantismo; é governança de longo prazo. Exaustão é inimiga de decisão lúcida. “Não darás falso testemunho” e “não furtarás” atingem o coração da liderança: verdade operacional e precisão nas informações. Toda organização enfrenta a tentação de maquiar números, suavizar riscos ou prometer mais do que entrega. Isso não é apenas risco legal; é corrosão de confiança. Confiança é construída em microdecisões cotidianas, não em slogans.
Paulo, em Filipenses 1, expõe maturidade rara: escolher o que é necessário à missão, não o que é confortável ao indivíduo. Liderança madura decide pelo que sustenta o coletivo no longo prazo, mesmo quando isso exige renúncia pessoal: formar sucessores em vez de centralizar, estruturar processos em vez de depender do herói, consolidar cultura em vez de buscar aplauso imediato.
O início do ano é o momento de alinhar desejo, valor e ação. Se a sua frase de propósito não orienta decisões impopulares, ela é apenas retórica. Onde está o seu tesouro? No ranking, na margem, no reconhecimento — ou na construção de uma organização que permaneça quando você não estiver mais no centro?
A liderança que escolhe tesouros estruturais constrói perenidade. A que escolhe apenas tesouros imediatos constrói dependência de ciclos favoráveis. Um novo ano não pede apenas novos planos; pede hierarquia moral clara.
Para estruturar propósito, valores e decisões no longo prazo, participe da Mentoria em Bioliderança e Cristocracia.
Siga @jggazola para aprofundar esse caminho.








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