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Cascavel,10/06/2026

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Junho Violeta alerta: aumento frequente do grau pode indicar ceratocone

Diagnóstico precoce pode evitar o avanço de doença que está entre as principais causas de transplante de córnea

Fonte: Assessoria
Junho Violeta alerta: aumento frequente do grau pode indicar ceratocone

Nem toda mudança de grau significa apenas a necessidade de trocar os óculos. Quando essa alteração ocorre de forma rápida e frequente, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, pode ser um sinal de ceratocone, doença que afeta a córnea e está entre as principais causas de transplante de córnea no Brasil. 

Uma das características mais comuns da condição é o aumento acelerado do grau, principalmente do astigmatismo, além da piora progressiva da qualidade visual. “O problema surge quando a córnea perde sua curvatura normal e passa a apresentar um formato irregular. Isso interfere diretamente na entrada da luz e na qualidade da visão. Entre os sintomas mais comuns estão visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz e alterações frequentes no grau dos óculos”, explica o Dr. Gabriel Sarolli de Andrade, do Hospital de Olhos de Cascavel.


Junho Violeta

De acordo com a pesquisa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 150 mil brasileiros desenvolvem ceratocone a cada ano. Embora a doença não tenha cura, o diagnóstico precoce faz toda a diferença no controle de sua progressão, tema que ganha destaque durante a campanha Junho Violeta. Apesar de ser um hábito comum para muitas pessoas, coçar os olhos com frequência está entre os principais fatores associados a essa condição. “Esse movimento repetitivo provoca microtraumas na córnea, enfraquecendo as fibras de colágeno responsáveis por manter sua estrutura e favorecendo a deformação da superfície ocular”, ressalta o especialista.


Por trás da visão embaçada 

O diagnóstico é realizado por meio de avaliação oftalmológica e exames específicos que permitem analisar o formato e a espessura da córnea. De acordo com o Dr. Gabriel, nas fases iniciais, a doença pode ser confundida com uma simples alteração de grau. “Muitas vezes, o ceratocone passa despercebido porque os sintomas se assemelham a mudanças comuns na visão. Por isso, é importante investigar aumentos frequentes no grau dos óculos, principalmente em pacientes jovens. Quando não identificado e tratado adequadamente, o avanço da doença pode causar limitações visuais significativas”, orienta.


Tratamento

Quando diagnosticado precocemente, o ceratocone pode ser corrigido com óculos ou lentes de contato. Quando há risco de progressão, o tratamento mais indicado é o crosslinking, procedimento que fortalece a córnea e ajuda a impedir o avanço da doença. Em estágios mais avançados, podem ser utilizados anéis intracorneanos para melhorar a visão e, nos casos mais graves, pode ser necessário o transplante de córnea.

“O crosslinking é realizado por meio da aplicação de vitamina B2 na córnea, associada à exposição controlada à luz ultravioleta. A técnica aumenta a resistência da córnea e reduz sua tendência à deformação. No entanto, quando a córnea apresenta espessura muito reduzida, o procedimento pode não ser indicado. Cada caso é avaliado individualmente para garantir mais segurança e qualidade de vida ao paciente”, complementa o médico.


Banco de Olhos

Nesse contexto, o trabalho realizado pelo Banco de Olhos de Cascavel é fundamental para ampliar o acesso aos transplantes e devolver a visão a pacientes que aguardam pelo procedimento. Desde sua criação, o Banco de Olhos de Cascavel (BOC) já registrou 7.873 doações, que resultaram na captação de 15.746 córneas.

Em 2025, foram realizadas 345 doações, com 690 córneas destinadas a transplantes. Em 2026, até o momento, já foram registradas 131 doações e captadas 262 córneas, das quais 174 foram distribuídas e 96 transplantadas no Hospital de Olhos Centro Oftalmológico de Cascavel.

Ao longo de sua trajetória, a instituição destinou 3.265 córneas para pacientes de Cascavel, 2.585 para Curitiba e outras 548 para municípios como Guarapuava, Londrina, Maringá e Pato Branco. Atualmente, o BOC atende 10 cidades e, com a expansão para o Noroeste do Paraná, amplia o acesso ao transplante de córnea e fortalece a cultura da doação no Estado.




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