PAID consolida duas décadas de cuidado domiciliar e segue transformando a atenção à saúde em Cascavel
Programa que alia tecnologia, acolhimento e dignidade no tratamento em casa já atendeu mais de 14 mil pacientes, garantindo cuidado personalizado e evitando internações hospitalares
Assessoria O Programa de Assistência e Internação Domiciliar (PAID) segue como uma das estratégias fundamentais da rede municipal de saúde para garantir cuidado contínuo e humanizado à população. Em 2025 a iniciativa completou 20 anos de atuação em Cascavel.
Desde 2005, o PAID já atendeu aproximadamente 14 mil pacientes, além de seus familiares, e se consolidou como referência em atendimento especializado para pacientes que precisam de atendimento fora do ambiente hospitalar.
Só no ano passado, 926 pessoas passaram pelos cuidados das equipes e, atualmente, o programa está com mais de 250 pessoas em atendimento ativo. Pacientes que, provavelmente, estariam ocupando leitos hospitalares se não fosse o acompanhamento oferecido em casa.
O trabalho começou de forma pioneira com uma equipe formada por um médico e profissionais de enfermagem que realizavam visitas domiciliares a pacientes da Atenção Primária. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), no primeiro ano cerca de 80 pessoas por mês recebiam acompanhamento, incluindo usuários de oxigênio domiciliar.
Com o passar dos anos e o aumento da demanda, as equipes foram sendo ampliadas gradativamente. De acordo com o secretário de Saúde, Ali Haidar, a maioria dos pacientes acompanhados pelo programa encontra-se em cuidados paliativos, em diferentes fases da vida. São idosos, jovens e crianças que enfrentam condições como câncer, demências, sequelas de AVC, traumas, necessidade de ventilação mecânica, paralisia cerebral, cardiopatias ou dependência de oxigenoterapia. “Em todos esses anos, nós já comprovamos que a permanência dessas pessoas junto à família, no conforto do lar, além de reduzir riscos de infecção hospitalar, traz mais dignidade ao tratamento. Esse é o sentido do PAID: oferecer carinho, cuidado e acolhimento dentro ou fora do ambiente hospitalar”, destacou.
Ao longo dos anos, o PAID também tem aprimorado a qualidade da assistência oferecida. Entre as inovações mais recentes estão a aquisição de novos equipamentos de fisioterapia, a atuação voluntária do capelão Guinter, que oferece apoio espiritual sem vínculo religioso, e a realização de atividades educativas permanentes para profissionais e cuidadores, como encontros mensais, seminários e reuniões semanais. Essas ações fortalecem o vínculo entre equipe, paciente e família, criando uma rede de confiança.
Segundo o secretário Ali Haidar, mesmo com todos os avanços, o maior desafio ainda é a rede de apoio comunitária. “Com o envelhecimento da população, as mudanças nas estruturas familiares e as dificuldades sociais, nem sempre os familiares conseguem se dedicar integralmente ao cuidado do paciente quando a equipe não está presente. E isso exige ainda mais sensibilidade por parte dos profissionais que prestam esse atendimento”, pontuou.
Apesar das dificuldades, os resultados alcançados são expressivos. Um exemplo marcante é o caso de um paciente de 53 anos, admitido em junho de 2025 após sofrer um traumatismo craniano grave. Segundo relatórios do programa, no início ele dependia de traqueostomia e de sonda de alimentação, além de apresentar lesões severas. Após alguns meses de acompanhamento, evoluiu para dieta via oral, conseguiu retirar a traqueostomia, recuperou a lucidez e voltou a caminhar com auxílio.
Para o secretário de Saúde, Ali Haidar, resultados como esse reforçam o impacto transformador do PAID. “Toda a tecnologia e estrutura que nós temos só fazem sentido quando estão aliadas à dedicação de quem está na linha de frente, cuidando de cada detalhe no dia a dia dos pacientes. São as nossas equipes que fazem a diferença. É o empenho dos nossos profissionais que faz esse programa ser uma referência em cuidado humanizado.”
Do encaminhamento ao acompanhamento
Os encaminhamentos chegam ao PAID por meio dos hospitais, das Unidades de Pronto Atendimento, da Atenção Primária ou, ainda, de forma espontânea, quando familiares procuram o serviço diretamente.
Atualmente, o programa conta com quatro Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMADs), compostas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas, além da Equipe Multiprofissional de Apoio (EMAP), formada por assistente social, farmacêutico, nutricionista e fonoaudióloga. Também dão suporte ao trabalho a equipe administrativa, motoristas e zeladoras.
A rotina de cuidados inclui visitas semanais, administração diária de medicações e atendimentos específicos para situações como trocas de sondas, avaliações de dor, orientações a cuidadores e procedimentos de fisioterapia. No ano passado, o serviço ganhou reforço com a criação da quarta equipe e com a integração ao Programa de Atendimento Residencial (PAR), que fortalece a transição de cuidados junto à Atenção Primária.
Entre os depoimentos que emocionam está o do paciente Nelson Lucas dos Santos, atendido pelo programa. “Agradeço muito ao pessoal do PAID porque eles já me salvaram duas vezes. Eu sei que muita gente não reconhece o que eles fazem, mas eu reconheço tudo o que eles fizeram por mim. Muito obrigado, que Deus abençoe a todos.”

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