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Cascavel,26/10/2026

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Em virada histórica, Lula conquista quarto mandato

Além disso, é o primeiro postulante desde a instituição dos dois turnos, na eleição de 1989, a chegar em segundo lugar na primeira votação e virar para a segunda

Fonte: Canal Meio
Em virada histórica, Lula conquista quarto mandato

A noite de 25 de outubro de 2026 entrou para a história. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito e terá um inédito quarto mandato como presidente do Brasil. Além disso, é o primeiro postulante desde a instituição dos dois turnos, na eleição de 1989, a chegar em segundo lugar na primeira votação e virar para a segunda. Para completar, Lula, que chega aos 81 amanhã, será a pessoa mais idosa a tomar posse como presidente da República. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula obteve 64.255.969 votos (51,79%), derrotando o senador Flávio Bolsonaro, que teve 59.826.002 votos (48,21%) — no primeiro turno, Flávio havia chegado na frente, com 47,03%, contra 45,16% do presidente. Lula consagrou-se como o presidente mais votado da história, ampliando em 3,8 milhões os votos que recebeu em 2022. Contribuiu para a vitória de Lula a queda recorde na abstenção (de 21,08% no 1º turno para 19,21%) e nos votos brancos e nulos (5,98 milhões para 4,15 milhões). O presidente aumentou sua votação em todos os estados e no DF, com maior crescimento numérico em São Paulo, Rio e Minas. Como seu pai quatro anos atrás, Flávio Bolsonaro não reconheceu a derrota, e disse que vai pedir a anulação do pleito. (g1)

Consulte a votação deste domingo por estado. (g1)

Lula votou pela manhã em São Bernardo do Campo (SP) e, ao sair da seção eleitoral, agradeceu aos eleitores e enalteceu a mobilização de sua militância. O presidente acompanhou a apuração em São Paulo, no Hotel Intercontinental, perto da Avenida Paulista, onde seus apoiadores já se concentravam. Confirmada a vitória, ele foi para a avenida com a primeira-dama Janja, o vice Geraldo Alckmin e outros aliados. Em seu discurso, Lula disse ter vencido a mentira e prometeu governar com “o Congresso que foi eleito”, marcadamente conservador. O presidente afirmou ainda que precisou enfrentar a “intromissão” das plataformas digitais. E disse que aprendeu muitas lições com as eleições, prometeu mudar o jeito de governar, garantiu mais participação popular nas decisões de governo e disse que vai dar mais espaço para a comunicação digital em seu quarto mandato. Ele agradeceu em especial ao deputado André Janones (Rede-MG), responsável pela intensa campanha online por sua eleição. (UOL)

Veja as fotos da comemoração petista na Avenida Paulista. (Poder360)

Independentemente das diferenças políticas, líderes conservadores latino-americanos parabenizaram o presidente Lula pela reeleição. “Parabéns, Lula, pela sua eleição como presidente do Brasil”, escreveu Santiago Peña, presidente do Paraguai. “Parabenizo o presidente Lula pela sua vitória. A Bolívia e o Brasil são países vizinhos e irmãos, unidos por uma história e desafios comuns”, disse o boliviano Rodrigo Paz. A peruana Keiko Fujimori reafirmou a vontade de “fortalecer nossa aliança estratégica, a integração, a cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia”. Já o argentino Javier Milei, que coleciona ataques a Lula, não se manifestou oficialmente e compartilhou publicações de sites direitistas afirmando, sem provas, que houve fraude na eleição brasileira. (Folha)

E, claro, o segundo turno rendeu sua cota de memes. (g1)

Flávio Bolsonaro anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação da eleição presidencial. Flávio contestou a decisão do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação em todo o país até as 19h. O candidato derrotado acusou o Supremo de alterar as regras eleitorais durante a votação. O senador afirmou que não aceitará o resultado nas condições em que ocorreu o pleito e alegou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre da Justiça Eleitoral por determinação do STF. A acusação não foi acompanhada de comprovação no relato divulgado. Entretanto, já há um consenso no Supremo e no TSE contra a anulação das eleições. (UOL)

Antecipando veladamente a resposta à contestação, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, negou que a prorrogação da votação tivesse interferido no resultado do pleito. Antes de anunciar publicamente o resultado do segundo turno, ele ligou para Lula e para Flávio Bolsonaro. “Finalmente chegamos ao encerramento da apuração. Há poucos instantes, alcançamos o resultado que define os eleitos. Lula foi reeleito e será o 40º presidente do Brasil. A Lula, registro o reconhecimento da Justiça Eleitoral por mais esse momento democrático”, disse o presidente da Corte, em pronunciamento oficial. Nunes Marques ainda destacou a trajetória de Lula, que, segundo ele, atravessou diferentes períodos da história da democracia. (CNN Brasil)

As eleições foram marcadas por graves problemas no transporte público de diferentes capitais brasileiras. Ao contrário do que manda a legislação eleitoral, prefeituras reduziram o efetivo das frotas de ônibus em cidades importantes, como Salvador e São Paulo. Na Bahia, a Justiça Eleitoral determinou a prisão em flagrante do secretário de mobilidade de Salvador, Pablo Souza, por suspeita de crime eleitoral relacionado à redução da frota de ônibus durante o segundo turno das eleições presidenciais. Ele, no entanto, está em Paris. Em São Paulo, a Justiça Eleitoral determinou que a Prefeitura e a SPTrans prestassem esclarecimentos sobre denúncias de redução da frota. Segundo a representação apresentada pelo PT, apenas 60% dos veículos teriam circulado na capital paulista. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar casos semelhantes em municípios de São Paulo, Bahia, Sergipe, Piauí e Alagoas. (g1)

A situação levou o ministro do STF Cristiano Zanin a prorrogar o horário de votação em todo o Brasil até as 19h, duas horas além do encerramento previsto. A decisão atendeu a um pedido da campanha de Lula. A decisão só foi tomada após as 17h e causou confusão em todo o país por conta do encerramento oficial da votação ter acontecido antes da ordem de Zanin ser proferida. Ministros do TSE reclamaram da interferência do STF em uma questão eleitoral. (Folha)

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), parabenizaram Lula pela reeleição neste domingo e defenderam a retomada do diálogo político após a disputa presidencial. Motta elogiou a segurança e a rapidez do sistema eleitoral brasileiro e afirmou que a Câmara continuará empenhada em pautas relacionadas ao crescimento econômico, à segurança pública e à redução das desigualdades. Alcolumbre destacou a votação expressiva de Flávio Bolsonaro, seu colega no Senado há oito anos, e afirmou que o resultado evidencia a divisão política do país. Segundo o senador, a democracia exige o reconhecimento das diferenças e a disposição para o diálogo entre adversários. (Veja)

Quem não gostou da reeleição de Lula foi o mercado financeiro, que vinha trabalhando com a perspectiva de vitória para Flávio Bolsonaro. Logo após o anúncio do resultado, o principal ETF (fundo de investimento que busca replicar um índice, como o Ibovespa) do Brasil no exterior caiu 26,04%. A expectativa dos analistas é de que o mercado abra nesta segunda-feira com forte pressão sobre bolsa, dólar e juros. (InfoMoney)

A vitória do presidente Lula nas eleições brasileiras ganhou as manchetes dos maiores jornais e sites noticiosos do mundo na noite deste domingo. Nos Estados Unidos, o New York Times, o Washington Post e a CNN destacaram em suas primeiras páginas a reeleição do presidente brasileiro e o fato de o Brasil não ter embarcado na chamada onda azul que levou governos de direita aos países latino-americanos. Na Inglaterra, o destaque foi semelhante, com o Guardian, o Financial Times e a BBC dando primeira página para a quarta conquista de Lula. O mesmo aconteceu nos principais jornais europeus. Na França, o Le Monde destacou a vitória de Lula, assim como o Público, de Portugal, e a alemã Der Spiegel. (Meio)

Pedro Doria: “Luiz Inácio Lula da Silva não é um político trivial. A vitória foi um feito muito importante que ele conseguiu e uma regra da Nova República que se rompe. Nunca uma pessoa que chegou em segundo no primeiro turno venceu a eleição”. (Meio)

Fábio Graner: “Com seu discurso falando de anulação da eleição, o senador Flávio Bolsonaro sanciona o grande temor que havia em torno de sua candidatura: a relação com a democracia. O candidato derrotado no segundo turno teve um desempenho na eleição na qual superou todas as expectativas, inclusive de aliados, e poderia terminar o processo mostrando mais grandeza que o seu pai. Optou por se apequenar”. (Globo)

Flávia Tavares: “O grande saldo dessa ressurreição do campo da esquerda enquanto luta política, além da possibilidade de ir além do identitarismo e de questões meramente ligadas ao discurso de que precisamos lutar pela democracia, é que esta conquista do quarto mandato não é um presente do acaso. Não é celebratória. É uma rejeição ao bolsonarismo, não uma adesão ao lulismo. Espero que o presidente Lula entenda isso”. (Meio)

Ricardo Corrêa: “A soberba de Flávio Bolsonaro, somada à mobilização de uma militância desesperada com a possibilidade da vitória do bolsonarismo, empurrou o presidente Lula a uma vitória fora do comum. Mas no quarto mandato, o cenário à espera é bem mais desafiador”. (Estadão)

Creomar de Souza: “Em uma rodoviária no Sudeste brasileiro, no primeiro turno, foram vendidas 1.500 passagens para estados da região Nordeste. Neste segundo turno, foram vendidas 15 mil até sexta-feira. O que isso significa? Que as pessoas saíram de casa para votar. O segundo turno viu uma fagulha de engajamento dos dois lados muito legal”. (Meio)

Depois da festa

Spacca

A atenção estava toda voltada para a eleição presidencial, mas cinco estados e o Distrito Federal escolheram neste domingo seus governadores. No DF, Celina Leão (PP) teve 57,18%. Lorenzo Pazolini (Republicanos) venceu no Espírito Santo com 52,17% dos votos válidos. No Amazonas, Omar Aziz (PSD) foi eleito com 61,42% dos votos válidos. Cadu de Lula (PT) foi eleito no Rio Grande do Norte com 50,77% dos votos válidos. Mailza Assis (PP) foi reeleita no Acre ao receber 66,21% dos votos válidos. E no Tocantins, Vicentinho Júnior (PSDB) venceu com 64,52% dos votos válidos. (g1)

Ontem o Brasil elegeu, pela primeira vez, um presidente para o quarto mandato. O Meio acompanhou esta eleição inteira com onze rodadas da própria pesquisa, registradas no TSE, e terminou a noite ao vivo, na apuração. Esse jornalismo existe porque milhares de pessoas pagam por ele. Se você quer que ele continue, venha com a assinatura premium. Seu lugar é o Meio.


Viver

Segundo um estudo com participação da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, o calor matou 50 mil pessoas em cidades europeias entre junho e agosto, no maior número já registrado. Os pesquisadores atribuem duas em cada três dessas mortes às mudanças climáticas provocadas pelo homem. O levantamento analisou 854 cidades e mostrou que a Itália, França e Espanha somaram o maior número de vítimas. A maior taxa ficou com Nápoles, onde morreram 815 pessoas para cada milhão de habitantes, a maioria delas idosos com mais de 85 anos. (Guardian)


Cultura

Morreu neste domingo Oswaldinho do Acordeon, um dos nomes importantes do forró nas últimas décadas, aos 72 anos. Ele ficou conhecido por incorporar ritmos do jazz, do blues e da música erudita à sua sanfona. Filho do também sanfoneiro baiano Pedro Sertanejo, Oswaldo de Almeida e Silva nasceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e se mudou para São Paulo ainda na infância. O pai abriu a primeira casa de forró de cidade, onde Oswaldinho convivia com nomes como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca. (Folha)


Cotidiano Digital

A OpenAI retomou o treinamento de seus modelos de inteligência artificial mais avançados após suspender as atividades em setembro, devido a um erro de configuração que permitiu acesso limitado à internet. Para evitar novos incidentes, a empresa reforçou os sistemas de segurança e bloqueou o acesso à rede durante o período de testagem das ferramentas. As avaliações de segurança identificaram vulnerabilidades no Brotli, recurso de compressão de dados utilizado por tecnologias como Node.js, Bun e Envoy. A falha poderia permitir que invasores executassem seus próprios códigos em programas que utilizam esse recurso. (Reuters)

Depois dessa eleição, agora é hora de juntar os cacos. O Brasil ainda parece duas metades que não se reconhecem e para Roberto DaMatta, a briga de fundo é outra, e mais antiga. Na Edição de Sábado, Flávia Tavares conversa com o antropólogo e um dos grandes intérpretes do país. Aos 90 anos, ele percorre os dualismos que ajudaram a nos entender e chega a uma definição incômoda: uma sociedade que quer mudar sem fazer o trabalho de casa. Ainda na edição: Pedro Doria relembra o encontro com DaMatta e o ensinamento que nunca esqueceu. Uma leitura que vai continuar fazendo sentido mesmo após o resultado. Confira.



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