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Cascavel,27/05/2026

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Padre Reginaldo Manzotti

Interceder é amar em oração


Interceder é amar em oração

Filhos e filhas,

 

A intercessão é uma das mais belas expressões do amor cristão. É quando saímos de nós mesmos e nos colocamos diante de Deus em favor do outro. É levar a Jesus aquilo que muitas vezes o outro não consegue expressar: sua dor, sua luta, sua necessidade. Interceder é amar em oração.

 

A Sagrada Escritura nos apresenta inúmeros exemplos dessa atitude. Abraão intercede por Sodoma (cf. Gn 18,23-33), Moisés suplica pelo povo que havia pecado (cf. Ex 32,11-14), e o próprio Jesus Cristo nos revela o coração da intercessão ao rezar por seus discípulos: “Eu rogo por eles” (cf. Jo 17,9).

 

Jesus é o grande intercessor. Como nos recorda a Palavra: “Ele está sempre vivo para interceder por nós” (cf. Hb 7,25). E mais ainda, São Paulo afirma: “O Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza, pois não sabemos pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós” (cf. Rm 8,26). Veja, filhos e filhas, não estamos sozinhos nem mesmo na nossa oração. O céu inteiro intercede conosco.

 

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “interceder é pedir em favor de outrem. Desde Abraão, a intercessão é característica de um coração conforme a misericórdia de Deus” (CIC 2635). Ou seja, quando intercedemos, estamos configurando nosso coração ao coração de Deus.

 

E, entre todos os modelos de intercessão, encontramos aquela que é nossa Mãe: Nossa Senhora. No episódio das Bodas de Caná (cf. Jo 2,1-11), Maria percebe a necessidade antes mesmo que alguém peça. Ela vê que falta o vinho e leva essa realidade a Jesus. E continua fazendo isso hoje: apresentando nossas necessidades ao Filho e nos orientando com amor: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

 

Filhos e filhas, quantas vezes carregamos preocupações que parecem grandes demais para nós? Problemas na família, dificuldades no trabalho, enfermidades, angústias… A intercessão nos ensina a confiar. Nos lembra que não precisamos carregar tudo sozinhos.

 

Mas também nos chama à responsabilidade: somos convidados a rezar uns pelos outros. A Palavra nos exorta: “Orai uns pelos outros, para serdes curados” (cf. Tg 5,16). Isso significa que a nossa oração tem um valor imenso. Deus, em sua infinita misericórdia, quis contar com a nossa participação.

 

Interceder também transforma quem reza. Quando apresentamos alguém a Deus, nosso coração se alarga, se torna mais compassivo, mais sensível. Passamos a olhar o outro não com julgamento, mas com misericórdia. A intercessão nos humaniza e nos santifica.

 

Talvez você já tenha rezado por algo que não aconteceu como esperava. E pode ter se perguntado: “Será que Deus me ouviu?” Sim, Deus sempre ouve. Mas Ele responde segundo a sua sabedoria e no tempo certo. Como nos recorda o Catecismo, “a confiança filial é posta à prova quando sentimos que não somos sempre atendidos” (cf. CIC 2734). A intercessão é também um exercício de confiança.

 

Por isso, não desista de rezar. Não deixe de interceder. Mesmo quando não vê resultados imediatos, continue. A oração nunca é inútil. Ela sempre produz frutos, ainda que invisíveis aos nossos olhos.

 

Hoje, eu convido você a fazer um gesto concreto: coloque nomes diante de Deus. Lembre de pessoas que precisam de oração. Apresente suas intenções com fé. E, se possível, diga a elas: “Eu estou rezando por você”. Essa simples atitude pode levar esperança a um coração cansado.

 

E lembre-se: enquanto você intercede, o próprio Cristo intercede por você.

 

Que Nossa Senhora, Mãe intercessora, apresente nossas súplicas ao coração de Jesus. E que o Espírito Santo nos ensine a rezar com fé, confiança e perseverança.

 

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti



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