Padre Reginaldo Manzotti
Bela obra-prima do coração de Deus: o coração de uma mãe
Filhos e filhas,
“A mais bela obra-prima do coração de Deus é o coração de uma mãe.”
Começo a mensagem de hoje com essa frase de Santa Teresinha de Lisieux porque a maternidade é um dos mais belos mistérios que Deus confiou à humanidade. Mais do que um fato biológico, ser mãe é uma vocação, um chamado profundo ao amor que se doa, que se entrega e que se renova todos os dias. É um amor que não se explica, mas se vive, com o poder de transformar tudo ao redor.
Encontramos o modelo mais perfeito de maternidade em Nossa Senhora. Maria não teve uma vida fácil. Sua maternidade foi marcada por desafios, incertezas e dores profundas. Desde o anúncio do Arcanjo Gabriel até a cruz de seu Filho, ela viveu cada etapa com uma fé firme e um coração totalmente disponível a Deus.
Maria nos ensina que ser mãe é confiar. Quando não entendia, ela guardava tudo no coração. Sua maternidade não foi construída sobre facilidades, mas sobre fidelidade. Concebida sem pecado, Maria é a serva fiel que se ofereceu inteiramente a Deus e, acolhendo o convite da graça com seu “sim”, torna-se modelo de quem realiza a vontade do Pai e imagem da comunidade comprometida com o plano da salvação.
Do Antigo ao Novo Testamento, muitos são os personagens destacados, mas a nenhum outro foi confiado um papel tão singular na obra de salvação como foi o papel de Maria. Seu ventre foi o solo fecundo, no qual Deus, pelo Espírito Santo, gerou o Verbo. Jesus, Nosso Senhor e Salvador. No seio de Maria, Deus se fez criança e veio habitar entre nós.
O Magistério da Santa Igreja, no Concílio Vaticano II, apresentou Maria Santíssima como modelo de virtudes. A virtude é uma disposição constante e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não apenas praticar atos bons, mas oferecer o melhor de si (CIC 1803). Na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria (cf. Ef. 5,27), os fiéis ainda precisam esforçar-se para vencer o pecado e crescer na santidade; e por isso elevam os olhos para Maria, que resplandece como modelo de virtudes sobre toda a família dos eleitos. (Lumen Gentium, 65)
Como bem afirmou Santo Tomaz de Aquino “A Bem-aventurada Virgem Maria é o modelo e o exemplo de todas as virtudes”. Por isso Ela é a Mãe de todas as mães, porque a própria maternidade deve ser uma escola de virtudes. Maria foi a serva humilde que jamais buscou para si mesma a atenção. Encontramos, na Bíblia, pouquíssimas palavras pronunciadas por Maria.
Maria foi preparada desde sempre para ser a Mãe do Filho de Deus, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:
“Ao longo de toda a Antiga Aliança, a missão de Maria foi preparada pela missão de santas mulheres. No princípio está Eva: apesar de sua desobediência, ela recebe a promessa de uma descendência que será vitoriosa sobre o Maligno e a de ser a mãe de todos os viventes. Em virtude dessa promessa, Sara concebe um filho, apesar de sua idade avançada. Contra toda expectativa humana, Deus escolheu quem era considerado impotente e fraco para mostrar sua fidelidade à sua promessa: Ana, a mãe de Samuel, Débora, Rute, Judite e Ester, e muitas outras mulheres. Maria se sobressai entre (essas) humildes e pobres do Senhor, que dele esperam e recebem com confiança a Salvação. Com ela, Filha de Sião por excelência, depois de uma longa espera da promessa, completam-se os tempos e se instaura a nova economia”. (CIC 489)
Maria permaneceu com sua missão junto aos apóstolos: “Ao final desta missão do Espírito, Maria torna-se a ‘Mulher’, nova Eva, ‘mãe dos viventes’, Mãe do ‘Cristo total’. É nesta condição que ela está presente com os Doze, ‘com um só coração, perseverantes na oração’ (At 1,14), na aurora dos ‘últimos tempos’ que o Espírito vai inaugurar na manhã de Pentecostes, com a manifestação da Igreja”. (CIC 726)
Ela é a Mãe da Igreja, a mãe que intercede por nós junto a Jesus. Como nas Bodas de Caná, ela continua a ver nossas necessidades e levá-las ao Filho, ao mesmo tempo continua sempre a nos dizer: “Façam tudo o que meu Filho vos disser”. (cf. Jo 2,5)
Hoje, ao refletirmos sobre a maternidade, somos convidados a olhar para Maria e aprender com ela. Que cada mãe possa encontrar em Nossa Senhora consolo nas dificuldades, força nas lutas e esperança nos momentos de incerteza.
E a todos nós, fica o convite: valorizemos nossas mães enquanto podemos. Um gesto, uma palavra, um abraço, podem significar mais do que imaginamos. O amor de mãe é um presente que devemos valorizar em todos os momentos.
Que Deus abençoe todas as mães, fortaleça seus corações e recompense cada gesto de amor, mesmo aqueles que ninguém vê. E que, à luz de Maria, possamos compreender que a maternidade é, acima de tudo, um reflexo do próprio amor de Deus no mundo.
Deus abençoe e fortaleça todas as mães,
Padre Reginaldo Manzotti







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