Pode parecer só futebol, mas é política também. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro afastou nesta quinta-feira Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol, a CBF. O desembargador Gabriel de Oliveira Zéfiro nomeou um dos vice-presidentes da entidade, Fernando Sarney, como interventor, que deve convocar novas eleições na entidade “o mais rápido possível”. A disputa pelo comando da CBF chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) , que recebeu duas ações na semana passada pedindo a saída de Ednaldo, sob a alegação de que uma das assinaturas do acordo que encerrou a ação questionando o processo eleitoral da CBF havia sido falsificada, o que foi confirmado por um laudo pericial. O documento permitiu a eleição de Ednaldo a um novo mandato em março. Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, havia rompido com Ednaldo e era um dos líderes da oposição dentro da CBF. (ge) O episódio é apenas mais um capítulo de uma crise na gestão de Ednaldo, que inclui denúncias de assédio, conflitos de interesse e descontrole de contas. Ele assumiu a presidência da CBF em 2021 de forma interina, sendo eleito ao cargo no ano seguinte. Por decisão do mesmo tribunal do Rio, foi destituído em 2023 após um processo movido por um grupo de cartolas, entre eles o coronel Nunes, que apontavam ilegalidades na sua eleição. Foi quando Rodrigues recorreu ao STF, sendo reconduzido à cadeira da presidência, em um acordo entre ele e os dirigentes, homologado pelo ministro Gilmar Mendes, de quem Ednaldo é muito próximo. A situação mudou em 28 de abril, quando o portal Leo Dias revelou que o coronel Nunes, de 86 anos, sofre de déficit cognitivo e pode ter assinado o acordo judicial sem condições motoras e mentais, o que poderia anular sua assinatura. (piauí e Portal Leo Dias) Pessoas próximas a Gilmar Mendes dizem que a permanência de Ednaldo no comando da CBF se tornou improvável. Desde 2023, o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do qual o ministro é sócio e fundador, tem uma parceria com a entidade esportiva para gerir os cursos da CBF. A repercussão pública da proximidade entre magistrado e cartola e outros desentendimentos estremeceram a relação entre os dois, apontada nos bastidores como que sustentava Ednaldo no comando da confederação. (Folha) Ednaldo recorreu ao STF para tentar reverter a decisão de ontem no mesmo processo que tem Gilmar como relator. Em entrevista à coluna Poder e Mercado, do UOL, o ministro do STF declarou que não há conflito de interesse em sua atuação no caso. “Eu sou sócio do IDP e, em dado momento histórico, o IDP aceitou uma proposta da CBF para realizar os cursos que a CBF Academy fazia. Foi somente um contrato de direito privado dirigido pela direção do IDP. Não há conflito de interesse em relação a esta questão. O IDP é uma instituição extremamente conceituada no Brasil e no exterior. Neste caso, [o IDP] estava organizando e cedendo seu bom prestígio à CBF, e não o contrário”, disse Gilmar. (UOL) A maioria dos chefes das federações estaduais já abandonou Ednaldo. Um grupo de 19 dos 27 dirigentes assinou o “Manifesto pela estabilidade, renovação e descentralização do futebol brasileiro” ainda ontem e se propôs a discutir uma candidatura para a próxima eleição. Nele, as federações dizem que a CBF foi “sufocada por uma estrutura excessivamente centralizada”. Das federações mais ricas, a do Rio assinou, mas São Paulo e Minas ficaram de fora. (Lance) Autor da reportagem que mostra os bastidores da gestão de Ednaldo Rodrigues na presidência da CBF, o jornalista Allan de Abreu contou no Central Meio a proximidade da entidade com atores importantes da política e do Judiciário em Brasília, incluindo o deputado e ex-presidente da Câmara Arthur Lira e o próprio ministro Gilmar Mendes. (piauí e Meio) A contratação do técnico Carlo Ancelotti para treinar a seleção brasileira ocorreu em meio ao processo político que afastou Ednaldo. Lauro Jardim conta que o italiano correu o risco de fechar um acordo com um presidente que poderia ser retirado do cargo após ouvir da oposição que sua contratação era unanimidade entre todos da confederação. (Globo) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não gostou nem um pouco do vazamento de sua conversa e da primeira-dama com o presidente chinês Xi Jinping sobre o TikTok. Ainda no voo de volta para o Brasil, ele deu uma bronca nos ministros e disse que a divulgação e as críticas a Janja tinham sido “desleais”. Mas, aparentemente, surtiram algum efeito, como revela Mônica Bergamo. O TikTok enviou ao Itamaraty uma carta se colocando à disposição para dialogar sobre sua atuação no país. A filial brasileira da plataforma enviou à matriz na China um relatório sobre a repercussão do caso por aqui, motivando a iniciativa da carta. Lula defende a regulamentação das redes. “Não é possível a gente continuar, sabe, com as redes digitais cometendo os absurdos que cometem e a gente não ter a capacidade de fazer uma regulamentação.” (Folha) Mas o “caso TikTok” está rendendo uma intriga palaciana. Segundo a Coluna do Estadão, Rui Costa, ministro da Casa Civil e tido como responsável pelo vazamento, reclama de “fogo amigo”. Pessoas próximas ao ministro dizem que ele atribui a acusação a “traíras” dentro do governo. (Estadão) O Planalto já admite a chance cada vez maior de o Congresso instalar a CPMI para investigar o escândalo do INSS e busca disputar cargos relevantes na comissão, inclusive sua presidência. Um dos nomes cotados para a relatoria é o da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Além disso, o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, declarou apoiar a criação da CPMI, e o senador petista Fabiano Contarato assinou a lista que pede a instalação. (Globo) E o tempo esquentou nesta quinta-feira na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado, com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, batendo boca com o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR). Queiroz prestava esclarecimentos sobre a fraude, quando Moro indagou se ele sabia do esquema quando era secretário-executivo do ministério. O ministro negou, dizendo que as denúncias foram feitas em 2020, quando o senador ocupava a pasta da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PL). (CNN Brasil) Áudios enviados pelo policial federal Wladimir Matos Soares, preso desde novembro, ajudaram a PF a reconstituir a parte da trama golpista que envolvia o assassinato de autoridades. Nas gravações, o agente diz que pretendia “matar meio mundo” para manter Jair Bolsonaro (PL) na presidência após a derrota eleitoral de 2022. Em um dos trechos, enviado por Soares a um amigo, ele diz que seu grupo esperava apenas o “ok” de Bolsonaro para agir. “Só que o presidente deu para trás, porque na véspera que a gente ia agir, o presidente foi traído dentro do Exército. Os generais foram lá e deram a última forma e disseram que não iam mais apoiar ele. Ou seja, na realidade o PT pagou para eles, comprou esses generais”, diz o policial. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o plano “Punhal Verde e Amarelo” envolvia a morte do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moraes. (UOL) Cenários para 2026Marcelo Martinez
 Meio em vídeo. Virginia Fonseca foi chamada para depor na CPI das Bets, mas transformou o Congresso em palco de publi. Fingiu inocência diante de senadores deslumbrados e despreparados, que mais pareciam fãs em busca de selfies. Na coluna De Tédio a Gente Não Morre, Mariliz Pereira Jorge comenta a falência do Congresso e o culto ao luxo fake que lucra com a alienação coletiva. (YouTube) |
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