Câmara cobra plano emergencial e estrutura de atendimento da Copel em Quedas do Iguaçu
Na noite de ontem (05), os vereadores aprovaram a solicitação de esclarecimentos à companhia e o pedido de realização de uma audiência pública para discutir o atendimento no município
Fonte: Assessoria
Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação Qual é a estrutura disponível para atender Quedas do Iguaçu quando eventos climáticos atingem o município? Quantas equipes podem atuar em situações de emergência? Existe um plano para restabelecer o fornecimento de energia e atender moradores, produtores e empresas? E como ficam os prejuízos de quem passa horas ou dias sem o serviço?
Essas estão entre as respostas que a Câmara Municipal de Quedas do Iguaçu, na região Centro-Sul do Paraná, vai cobrar da Copel após as interrupções no fornecimento de energia registradas desde o vendaval que atingiu o município no último sábado. Na noite de ontem (05), os vereadores aprovaram a solicitação de esclarecimentos à companhia e o pedido de realização de uma audiência pública para discutir o atendimento no município.
A cobrança ocorre enquanto diferentes regiões ainda enfrentavam os efeitos da interrupção. Durante a sessão, foram relatadas localidades que passaram mais de 48 horas sem energia, famílias que perderam alimentos, produtores rurais com dificuldades para manter a produção, escolas preocupadas com a conservação da merenda e empresa com atividades paralisadas.
Entre os esclarecimentos solicitados estão o número de equipes disponíveis para atender Quedas do Iguaçu, o reforço adotado diante dos alertas meteorológicos, a existência de um plano emergencial para situações de desastre e como são tratados os prejuízos provocados pela demora no restabelecimento do serviço.
O requerimento foi aprovado por todos os vereadores e reúne cobranças sobre a estrutura de atendimento da Copel, a resposta em situações de emergência, os prejuízos provocados pela falta de energia e a realização de uma audiência pública com a companhia. A proposta foi apresentada por Eleandro da Silva (Leandro da Saúde), Henrique Waldow e Claudelei Torrente Lima.
Estrutura e capacidade de resposta
A estrutura disponível para atender Quedas do Iguaçu foi um dos principais pontos levantados durante a sessão. O vereador Eleandro da Silva (Leandro da Saúde) informou que, na manhã de ontem (05), 21% do município ainda estava sem energia e que mais de 2,5 mil protocolos de atendimento por falta de energia haviam sido registrados. Segundo ele, os dados foram repassados durante contato com o escritório local da Copel.
Eleandro também citou a situação registrada na Avenida Tarumã, em frente à rodoviária. De acordo com o vereador, uma árvore caiu sobre a rede elétrica e o local permaneceu energizado por mais de 36 horas. “E é por isso que nós precisamos saber a quantidade de efetivo que a Copel disponibiliza fixo aqui no nosso município, para quando acontecem as demandas serem resolvidas imediatamente. E além disso, nós já estamos aí há seis, oito meses com alertas da Defesa Civil em todo o Paraná, já prevendo esses desastres climáticos. Quais foram as medidas adotadas por essa empresa? Então, qual que é esse plano? Eles vão restituir essas perdas?”, questionou Eleandro.
Durante a discussão, o vereador Henrique Waldow afirmou que ainda recebia mensagens de moradores sem energia e chamou a atenção para a situação dos produtores rurais, especialmente os que dependem do fornecimento para a produção de leite. Para o parlamentar, a Câmara precisa cobrar uma solução e levar representantes da companhia para uma audiência pública. “O que me interessa é saber o que está sendo feito para solucionar o problema, que ainda há pouco recebi mensagem aqui falando que está sem luz em casa. Produtor de leite, gente, tem que tirar o leite para jogar fora. Até quando que vai ser isso, Copel? Até quando? O que nós precisamos fazer? Nós temos que ter uma audiência pública. E se a audiência pública não resolver, nós temos que ir lá no escritório e ficar plantado lá dentro até que seja cobrado quem de fato vai resolver, que seja apresentada a solução para a população”, afirmou Henrique.
O vereador Claudelei Torrente Lima citou cobranças anteriores feitas em busca de atendimento e defendeu uma atuação conjunta dos parlamentares. Segundo ele, a população precisa receber informações e respostas sobre a solução dos problemas. “Nós, vereadores, temos que fazer a nossa parte aqui em Quedas. Mostrar que a gente está unido, organizado, para buscar resolver esse problema”, disse Claudelei.
Prejuízos chegam às casas e ao campo
Durante a sessão, o vereador Jocemar de Freitas Ribeiro (Joce Freitas) relatou a situação encontrada em Pindorama. Segundo ele, uma moradora o procurou após perder alimentos durante o período sem energia. “Uma senhora saiu na rua chorando, me falando que as carnes dela estragaram, que não tinha mais o que fazer. Estava sem energia, sem cobertura. Estava desesperada”, relatou Jocemar.
O vereador Aparecido Pereira dos Santos (Cidão) afirmou que a falta de energia tem provocado cobranças tanto de moradores da área urbana quanto de trabalhadores rurais. Segundo o parlamentar, desde sábado os vereadores recebem inúmeras ligações relacionadas ao problema. “Esse problema é de todos. Não é só da questão legislativa, não. É do morador, é do trabalhador rural. Não vejo outra saída, senhoras e senhores, uma vez que já está se esgotando todas as possibilidades amigáveis para a solução. E a sociedade nos cobra. De sábado para cá, eu acredito que todos os senhores, assim como eu, têm recebido inúmeras e inúmeras ligações, e todas pertinentes a esta falta de energia”, afirmou Cidão.
A vereadora Sandra Harca também chamou a atenção para os reflexos da interrupção no campo. Durante a sessão, ela relatou ter encontrado produtores que precisaram retirar leite manualmente, mas continuavam sem condições adequadas para armazenar a produção. Sandra também cobrou uma estrutura de atendimento capaz de responder às demandas do município. “Nós precisamos sim nos unir e trazer resultado. E Quedas do Iguaçu merece um gerente regional na cidade. Nós precisamos de pessoas que sejam resolutivas na ponta. E os produtores que eu encontrei ontem, que tiraram o leite na mão, mas o que adiantou tirar o leite na mão? Vai guardar onde o leite? Vai jogar fora o leite? Olha as dificuldades de quem realmente trabalha dia a dia para pagar as contas. Então, realmente, nós precisamos de respostas urgentes. E o nosso povo de Quedas do Iguaçu está sofrendo”, afirmou Sandra.
Impactos e próximos passos
O presidente da Câmara, Rodolfo Revers, relatou que esteve, na manhã de segunda-feira, no Colégio Estadual do Campo Alto Alegre e no Colégio Estadual do Campo Lageado Bonito e encontrou as duas unidades sem energia. Os os diretores estavam preocupados com os alimentos armazenados para a merenda escolar. No Alto Alegre, um gerador estava sendo providenciado.
Rodolfo também informou que recebeu uma ligação do diretor de uma indústria de papel do município. De acordo com o relato apresentado durante a sessão, a empresa estava com as atividades paralisadas desde sábado por causa da falta de energia. “Os dois colégios estavam sem luz. Os diretores preocupadíssimos com as carnes no freezer, a merenda que estava descongelando. Lá no Alto Alegre, inclusive, já estava chegando um gerador e tem que pagar gerador para funcionar”, relatou Rodolfo.
Ao tratar dos próximos passos, o presidente afirmou que a Câmara vai buscar a presença de um representante da Copel para prestar esclarecimentos e responder aos questionamentos apresentados pelos vereadores e pela população. “Esta presidência não vai se furtar no compromisso com vocês de trazermos aqui um representante da Copel para prestar esclarecimento, responder as nossas perguntas e responder a nossa população, que merece o mínimo de atenção, porque nós não estamos só deixando produtores no prejuízo. Nós estamos deixando alunos sem aula. Então nós vamos dar prioridade nisso. Assim que tivermos uma pessoa indicada, marcarmos essa audiência pública para darmos respostas à nossa população”, afirmou Rodolfo.
Com a aprovação do requerimento por todos os vereadores, a Câmara dará continuidade às cobranças e às providências para viabilizar a audiência pública com a Copel.
Fonte: Assessoria
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