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Cascavel,23/07/2024

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Editorial Paraná Oeste

Religião e política: como as duas se relacionam?


Religião e política: como as duas se relacionam?

Religião e política são dois assuntos que geram polêmica. Quando os dois universos se juntam, as discussões podem ser ainda mais intensificadas. Entretanto, existe uma grande participação de pessoas atreladas à religião, especialmente, evangélicos na vida política do país.

A princípio, não há problemas em pessoas religiosas se envolverem na política, desde que haja o respeito ao estado democrático de direito e às leis vigentes. Além disso, deve-se respeitar a laicidade do Estado e não impor ou transferir para o governo ideais e valores que são particulares, como os da vida religiosa.

O sociólogo português, Boaventura de Sousa Santos ajuda a responder essa questão. Ele chama de teologia política os discursos que reivindicam a presença da religião na esfera pública. Porém, ele notou que não há muitas semelhanças entre os diversos.

Para entender é preciso lembrar que até cerca de dois séculos atrás religião e política andavam juntas. A coisa começou a mudar quando o Iluminismo propôs que o Estado deveria ser laico, ou seja, pautado pela lógica racional. Esta filosofia animou várias correntes que quando chegaram ao poder passaram a limitar a influência política das religiões.

Entretanto, até hoje líderes religiosos tentam responder a isso, buscando resgatar a posição de influência na vida pública dos textos sagrados, de modo que leis e valores religiosos passem a valer para todos.

No Brasil, pode-se citar a forte presença de políticos religiosos. No Congresso, por exemplo, existe a bancada evangélica, uma bancada temática que agrupa deputados e senadores alinhados com pautas morais. Entre elas estão proibição do aborto, discussões sobre gênero e prevenção da homofobia.   

Ao mesmo tempo existem outros grupos religiosos com postura mais progressista, que já se posicionaram publicamente contra leis que façam aumentar a violência contra homossexuais, por exemplo. Além disso, eles fazem parte de denominações pluralistas que abraçam pautas sociais, relacionadas a racismo, feminismo, desigualdade social e movimento LGBTQIA+.

O que o sociólogo português demonstra é que não é possível colocar todos os religiosos no mesmo grupo. Há diferenças causadas pela pluralidade de olhares políticos sobre os temas. 

Se em um lado crescem visões fundamentalistas e tradicionalistas que buscam no passado o modo adequado que as mulheres devem se comportar, em outro lado, é os textos sagrados podem ser usados para defender para defenderem uma maior igualdade entre gêneros

Esta é uma tipologia aparentemente simples, porém muito poderosa para se analisar como as visões dos religiosos políticos se articulam com a visão de mundo da própria pessoa que olha. Porém, deve-se tomar sempre muito cuidado, pois dentro das próprias Igrejas há um debate de ideias e frequentemente o que uma liderança defende é bem diferente do que diz um colega seu.

Além disso, é importante observar que posturas políticas convergentes não significam que os grupos pensem igualmente. É possível que dois grupos muito diferentes concordem em torno de uma pauta, mas que cheguem àquela decisão por motivos muito diferentes.

A comunidade evangélica vem crescendo e ganhando cada vez mais destaque na vida política brasileira, tanto como uma parcela importante do eleitorado, como elegendo representantes. Eles representam cerca de 30% da população e a projeção é que se tornem o principal grupo religioso, ultrapassando os católicos, nas próximas décadas.

Assim como no passado, a religião e política continuam sendo próximas. A religião ainda é usada como instrumento para exercer poder, sendo hoje uma forma de influenciar a forma que as pessoas vão votar.





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